terça-feira, 30 de setembro de 2008

How to love

Senti a urgência de escrever. Houve uma frase no Californication que me fez pensar.

"All of us are so desperate to feel something, anything that we keep falling into each other and fucking our way towards the end of days".

Acho esta frase brilhante. Claro que no contexto da série em questão faz todo o sentido mas associei-a logo a algo que 2 bons amigos meus me disseram, de forma diferente. Vou pôr uma quote na ideia comum porque eles merecem.

"Com a idade e as experiências amorosas que fomos tendo, perde-se a capacidade de amar como dantes."

Estes 2 pensamentos são tão terríveis como reconfortantes. Terríveis porque se há algo que o Homem faz bem é amar. Não amamos, não fazemos amor para procriar. Talvez haja espécies que amem - eu não conheço mas também não admira, não sou tarado pelo National Geographic ou pelo Chamar a Música, estas séries fantásticas sobre animais - mas não sei se alguma amará como a nossa.

Não falo do amor de pais, pelos pais, de Deus(es) ou pelos amigos. Falo do Amor pela pessoa que queremos ter ao nosso lado. De preferência, enquanto o Amor durar. Em que é que nos torna esta perda que tanto se vê? Eu sem dúvida que a sinto e vejo outros a sentir. Vejo também, para minha e nossa esperança, outros que ainda acreditam. Mas são tão poucos e com tanta incapacidade de nos fazerem mudar que é arrepiante...

O que há de conforto nisto? Há o conforto de não estarmos sós, sermos uns nerd lovers, os geeks do amor perdido. Os poucos ratos de porão de um coração perdido. Não, de facto há mais, muitos mais. E para além disso, justificam as nossas escolhas. "Eu não a amo mas gosto muito dela e somos compatíveis". "Se não conseguir atinar com esta, estou-me a cagar, não consigo mais".
"A paixão vai-se, o amor confunde-se com amizade e respeito - mais vale um(a) companheiro(a) que uma paixão ou amor que duram pouco tempo". E tantas mais que o leitor (i.e. eu!) poderá arranjar que tenha ouvido por aí. Ou até dito.

É o que eu acho a visão romântica vs a pragmática. E não é por chamar estes nomes que estou a dar um sentido mais positivo a uma que a outra. São para já apenas nomes, quem arranjar melhor que diga. É o que é, ou o que tenho visto.

Qualquer uma das duas pode levar, no extremo, a situações terríveis - o romântico anda sempre atrás do grande amor, que pode até encontrá-lo onde não existe, e anda como um bipolar, entre a euforia e o desespero. O pragmático é o frio, a racionalidade com uma dose (maior ou menor consoante os casos) de sentimento. Este pode tornar-se um ser céptico, desiludido e uma fucking machine, rodando tudo o que aparece.

Qualquer pessoa que tenha passado por experiências, como dizem os meus amigos, torna-se pragmático, nem que seja por uns tempos. O problema são os que vivem como pragmáticos por via da escolha ou do sofrimento e desilusão que a vida lhes trouxe. E no fundo, como na 1ª frase, andamos à procura da sensação, que por azar ou bloqueio nosso, não encontramos ou não a conseguimos sentir.

So... what the fuck do we do?

Não sei. Adorava saber, para o meu bem e de todos. Mas não sei mesmo.

Apenas sei que o tempo passa e de tudo o que temos na vida, é a única coisa que não poderemos de forma alguma recuperar. Viver o dia, carpe diem, blá blá não ajudam é porra nenhuma à questão como diria um brasileiro. É urgente arranjar uma solução, pessoal, não há fórmulas. Não tem sentido culparmos a sociedade, isto acontece há séculos. Hoje podemos ser menos tolerantes, mais avessos ao necessário compromisso sério e dedicado, mas o problema de fundo está lá. Andamos à procura uns dos outros, encontramo-nos por vezes. A sorte e o destino poderão juntar as pessoas certas no momento certo, porventura por muitos anos. Sabendo porém, que muitas vezes só as reconhecemos quando as perdemos. Ou nos perdem.

Não sei. Não sei mesmo. Mas adorava saber. Às vezes sinto a urgência de saber.

Não estou deprimido, nem pensar! Mas por vezes triste por quem me acompanha e por mim, por esta ordem. Adorava olhar para trás e ver que era mais do que uma fucking machine - que nunca fui mas não garanto que não venha a ser. O pinga-amor já se foi, há anos. O pouco de romantismo que existia foi-se. Não digo que seja céptico em termos de relacionamentos mas não sou o crente que era.

Mudei, não culpo ninguém por isso, nem guardo rancor. Tenho o meu canto, o meu ninho de protecção que me custa largar. Vejo tantos assim... O ninho pode ter mais gente mas não deixa de ser o que é - o lugar onde muita gente vai, de onde volta sendo outro.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Interesses

Este é um tema que me é caro de alguma forma. Os interesses que falo não são os políticos ou empresariais mas sim os pessoais.

Para enquadrar este tema é importante definir o interesse de uma pessoa. Da forma que eu o vejo, é algo semelhante à motivação mas no sentido que leva a uma acção específica, num período específico. Por exemplo, eu motivo-me pelo sucesso mas o interesse em determinada pessoa que me pode dar mais poder não é constante apenas por essa motivação. Eu motivo-me por me sentir amado mas isso não significa que tenha interesse em ficar sempre com determinada pessoa só para que isso aconteça.

Sinceramente não sei se esta definição será correcta do ponto de vista lexical, psicológico ou outro qualquer mas faz-me algum sentido. O interesse desvenda a motivação mas esta não determina todos os interesses.

Falar de interesses sem falar em motivações é, por isso, como falar de um cão e ignorarmos a raça, ou o que é um cão. Por isso ser rídiculo, debrucei-me um pouco sobre as motivações de hoje.

Há e acho que sempre haverá imensa discussão de como classificar as motivações, necessidades e consequentes impactos no registo de uma personalidade. No entanto, por falta de conhecimento técnico e porque também não acho relevante para o caso, creio que é mais útil falar do que nos motiva na sociedade actual que conheço. Creio que o mais curioso é que as motivações são as mesmas de há séculos - ser bem sucedido na vertente social, através da riqueza material e de estrato e ser bem sucedido no amor (ou sexo). Claro que há mais e felizmente nem todos se regem só por estas mas é para mim óbvio que sem as motivações básicas qualquer homem ou mulher parecem uns perfeitos anormais.

Não acho que estas motivações por si sejam más - acho que sem elas provavelmente não haveria progresso nem seres humanos passado uns tempos. O que é curioso é a forma exarcebada como se manifestam em diversos comportamentos humanos e interesses que são criticáveis, sejam eles velados ou por demais visíveis. E esta importância para mim vem de 3 factores - inaptidão de resistência à forte pressão social, educação dos pares (pais, tios, amigos, etc) e por fim, mas às vezes a mais importante, o medo pessoal (e não de rejeição social) do insucesso em concretizar as expectativas que cada um cria por si. Por outras palavras, o medo de ser um merdas.

Normalmente chamam-se a pessoas interesseira aquelas que mostram por demais as motivações básicas - sucesso profissional e/ou pessoal. Vêmo-los atarefados a engraxar pessoas que não gostam, a rodearem-se de pessoas que dão jeito e a fazerem coisas que até podem vir a gostar mas que inicialmente permitem é um conjunto de situações que podem potenciar sucesso (veja-se o sucesso do golf p.ex.). É também frequente que os mais ineptos mostrem demasiado a superficialidade com que fazem tudo isto ou até como pela frente estão divertidos e empenhados, quando por trás só dizem mal. É uma hipocrisia só.

E não deixa de ser curioso como a minha Mãe sempre me disse por outras palavras (e quão pouco dei importância a isto quando era mais novo) que o interesse move o mundo. Somos todos interesseiros, dirão os mais cépticos ou que se sentem particularmente alvo da crítica. Pois somos. Mas nem todos se movem de uma forma egoísta, como os que tenho falado.

É importante fazer a seguinte observação - eu acho que a hipocrisia é um mecanismo humano essencial para a sobrevivência na nossa sociedade. Assim como o é a mentira. Nós rimo-nos das gaffes de uma criança de 3 anos mas acharíamos piada às mesmas atoardas vindas de uma pessoa com 30? Seria normal para alguém desta idade virar-se espontaneamente para outra que conhece mal e dizer "cheiras mal como a ETAR da 24 de Julho"? Claro que precisamos disto mas precisamos de o fazer o menos possível. E preferir o silêncio (omissão) ou a honestidade relacional à mentira e hipocrisia.

É mais criticável na minha opinião o interesseirismo (se é que isto existe no dicionário!) por via do aceitar que esta é a melhor ou que é o caminho que sempre me ensinaram. É apenas uma pena que haja quem o faça por causa do medo. Isto porque para mim, quem opta por não reflectir e mudar é preguiçoso ou acredita mesmo que a vida é assim. Às vezes o medo não nos permite optar, tolda-nos as acções, elas existem fruto do subconsciente ou porque não se consegue fazer melhor, mesmo que se queira muito e conscientemente.

Claro que há sempre solução. Mas também há a outra face - como lidar com o interesseiro? Eu optei, conscientemente, pela via mais fácil e talvez mais parva - para interesseiro, interesseiro e meio. Se alguém quer a minha companhia por alguma razão e se eu não tiver nada de interessante para fazer ou caso me interesse algo dessa companhia, sabendo à partida que é (ou provavelmente é) por interesse, siga a marinha. Dou aqui o exemplo da companhia mas o leitor azarado deste blog (ou seja, eu!) pode sempre aplicar este raciocínio para qualquer tipo de interesse.

Do ponto de vista curativo, esta abordagem é merdosa. Ninguém consegue curar uma gripe com outra gripe. Mas sinceramente, quero é que eles (os interesseiros) se fodam. Já estou como o João César Monteiro, é verdade, mas esta expressão é poderosa. E verdade seja dita, estava mortinho para arranjar uma desculpa para escrevê-la!

Isto tudo é uma pena. Há pessoas interesseiras que são fantásticas nos outros aspectos. Ricas intelectualmente, queridas, bonitas, enfim, um mimo. Que grande pena... mas de facto não interessam a ninguém que consiga ver este fundo e que perceba que isto só lhe pode fazer mal. Eu pelo menos sinto isso e evito ao máximo afeiçoar-me. Ocasionalmente é-me impossível não gostar e muito de alguém assim mas nestes caso tento não iludir-me. E escrevo para não me esquecer disso. Caso um dia... me esqueça.

No fundo, até acredito que eles se apercebam do que fazem. E espero que compreendam um dia que a amizade sincera e às vezes o amor é que aproximam as pessoas, as tornam... boas. Para todos à volta e ao próprio. É que o interesseiro, no fim do dia, pode ficar apenas na companhia de outros iguais, nem que seja uma multidão.

Que é o mesmo ficar muito só, no meio de muita gente.

E acho que esse é o pior medo que há. Pelo menos para mim. Hei-de escrever sobre ele.