Senti a urgência de escrever. Houve uma frase no Californication que me fez pensar.
"All of us are so desperate to feel something, anything that we keep falling into each other and fucking our way towards the end of days".
Acho esta frase brilhante. Claro que no contexto da série em questão faz todo o sentido mas associei-a logo a algo que 2 bons amigos meus me disseram, de forma diferente. Vou pôr uma quote na ideia comum porque eles merecem.
"Com a idade e as experiências amorosas que fomos tendo, perde-se a capacidade de amar como dantes."
Estes 2 pensamentos são tão terríveis como reconfortantes. Terríveis porque se há algo que o Homem faz bem é amar. Não amamos, não fazemos amor para procriar. Talvez haja espécies que amem - eu não conheço mas também não admira, não sou tarado pelo National Geographic ou pelo Chamar a Música, estas séries fantásticas sobre animais - mas não sei se alguma amará como a nossa.
Não falo do amor de pais, pelos pais, de Deus(es) ou pelos amigos. Falo do Amor pela pessoa que queremos ter ao nosso lado. De preferência, enquanto o Amor durar. Em que é que nos torna esta perda que tanto se vê? Eu sem dúvida que a sinto e vejo outros a sentir. Vejo também, para minha e nossa esperança, outros que ainda acreditam. Mas são tão poucos e com tanta incapacidade de nos fazerem mudar que é arrepiante...
O que há de conforto nisto? Há o conforto de não estarmos sós, sermos uns nerd lovers, os geeks do amor perdido. Os poucos ratos de porão de um coração perdido. Não, de facto há mais, muitos mais. E para além disso, justificam as nossas escolhas. "Eu não a amo mas gosto muito dela e somos compatíveis". "Se não conseguir atinar com esta, estou-me a cagar, não consigo mais".
"A paixão vai-se, o amor confunde-se com amizade e respeito - mais vale um(a) companheiro(a) que uma paixão ou amor que duram pouco tempo". E tantas mais que o leitor (i.e. eu!) poderá arranjar que tenha ouvido por aí. Ou até dito.
É o que eu acho a visão romântica vs a pragmática. E não é por chamar estes nomes que estou a dar um sentido mais positivo a uma que a outra. São para já apenas nomes, quem arranjar melhor que diga. É o que é, ou o que tenho visto.
Qualquer uma das duas pode levar, no extremo, a situações terríveis - o romântico anda sempre atrás do grande amor, que pode até encontrá-lo onde não existe, e anda como um bipolar, entre a euforia e o desespero. O pragmático é o frio, a racionalidade com uma dose (maior ou menor consoante os casos) de sentimento. Este pode tornar-se um ser céptico, desiludido e uma fucking machine, rodando tudo o que aparece.
Qualquer pessoa que tenha passado por experiências, como dizem os meus amigos, torna-se pragmático, nem que seja por uns tempos. O problema são os que vivem como pragmáticos por via da escolha ou do sofrimento e desilusão que a vida lhes trouxe. E no fundo, como na 1ª frase, andamos à procura da sensação, que por azar ou bloqueio nosso, não encontramos ou não a conseguimos sentir.
So... what the fuck do we do?
Não sei. Adorava saber, para o meu bem e de todos. Mas não sei mesmo.
Apenas sei que o tempo passa e de tudo o que temos na vida, é a única coisa que não poderemos de forma alguma recuperar. Viver o dia, carpe diem, blá blá não ajudam é porra nenhuma à questão como diria um brasileiro. É urgente arranjar uma solução, pessoal, não há fórmulas. Não tem sentido culparmos a sociedade, isto acontece há séculos. Hoje podemos ser menos tolerantes, mais avessos ao necessário compromisso sério e dedicado, mas o problema de fundo está lá. Andamos à procura uns dos outros, encontramo-nos por vezes. A sorte e o destino poderão juntar as pessoas certas no momento certo, porventura por muitos anos. Sabendo porém, que muitas vezes só as reconhecemos quando as perdemos. Ou nos perdem.
Não sei. Não sei mesmo. Mas adorava saber. Às vezes sinto a urgência de saber.
Não estou deprimido, nem pensar! Mas por vezes triste por quem me acompanha e por mim, por esta ordem. Adorava olhar para trás e ver que era mais do que uma fucking machine - que nunca fui mas não garanto que não venha a ser. O pinga-amor já se foi, há anos. O pouco de romantismo que existia foi-se. Não digo que seja céptico em termos de relacionamentos mas não sou o crente que era.
Mudei, não culpo ninguém por isso, nem guardo rancor. Tenho o meu canto, o meu ninho de protecção que me custa largar. Vejo tantos assim... O ninho pode ter mais gente mas não deixa de ser o que é - o lugar onde muita gente vai, de onde volta sendo outro.
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Um comentário:
Isto faz-me lembrar mesmo uma conversa em Carcavelos... ;) Mas olha sabes que mais? Eu afinal acredito! A vida tem destas coisas, e de vez em quando surpreende-nos! :) Bjssssssss
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