Hoje tinha que escrever. Já me devia ter deitado porque amanhã tenho apresentação de resultados mas não consigo. Tenho demasiadas lágrimas nos olhos, não se consegue dormir no meio do mar.
Aconteceram coisas extraordinárias e ordinárias.
Comecei a amar de novo, como nunca amei. Já não sabia o que era isto, já não me lembrava em parte, sinto que é mais forte que nunca e é uma sensação de núvens, de liberdade e euforia, de saudade imensa mas que, como um espelho, mostra a alma.
Comecei a sentir-me de novo um merdas, um palhaço brincalhão com o coração dos outros. Não por não gostar, porque gostei e gosto muito, por ser a pessoa maravilhosa que é. Merecia tudo e teve pouco. Deveria ser feliz e não o é. Tudo, tudo por minha causa. É um peso difícil de suportar e que sem o sentimento forte que tenho, sem a convicção que poderia vir a dar em desastre, poder-me-ia levar a uma vida boa, mas mais racional que emocional. É pouco quando se sente tanto. E é tanto quando se sente pouco.
É esta ilusão que nos tolda a paisagem. O tanto misturar-se com o pouco, o medo atrapalha, a culpa confunde, o passado assombra e tudo nos torna triste e alegre consoante aparece e desaparece. Não é simples pensar-se no que se sente, mistura-se com o que deveria ser, com o que deveríamos e temos obrigação de ser. Temos que ser Homens e Mulheres, respeitar os outros para nos podermos respeitar, dar-lhes as possibilidades para serem felizes para o podermos ser, sermos verdadeiros para sermos alguma coisa e corajosos, para não falharmo-nos.
Ao não fazermos isto, somos uns merdas. E eu fui.
Não o quero ser, nunca mais, custe-me o que custar. Se falhar, nem que passe o resto dos dias sozinho para não olhar para trás no fim do caminho e ver o mal que fiz, que nunca é compensado pelo outro bem, que também sei que consegui.
Que se receite iluminação e verdade, para todos nós, os únicos remédios que realmente precisamos para a alma. Que preciso, para viver melhor e em paz, para a história não se tornar um disco riscado.
Um grande beijo para o meu amor, espero merecê-lo.
Um grande beijo para quem quero o melhor da vida e que tirei em grande parte. Que um dia me perdoe, que não sei se o conseguirei fazer.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Happy New Year?
Hmmmm...
Não ficámos todos com a sensação que o desejo de um óptimo, fabulástico, Ano Novo, parece algo que faça... pouco sentido? Não digo hipócrita, porque acho que se todos à nossa volta forem felizes nós também havemos de ser - não por contágio claro, que a felicidade não é infelizmente uma gripe, mas porque a probabilidade de o sermos é maior.
Para além da crise, que é realmente preocupante, já que muita gente vai deixar de gastar o que gastava e vai ter que trabalhar mais, será que isto vai levar a outro tipo de crises?
Bem, o meu ano começou com uma... Por causa de uma surpresa, óptima, querida, divertida, linda e impensável (para mim pelo menos) razão mas também com uma grande indecisão... E pelo que vi na festa onde estive, não sou o único. E pelo que vi nas semanas antes do fim de ano, há pessoal a procurar entrar no clube! Será o ano da crise sentimental? Apetece dizer - Foda-se! Não há crise que venha só! Mas há crises que sabem bem... Oh se há. Já nem me lembrava bem como eram!
O que fazer? A velha questão de sempre, até já chateia. Se fosse uma pessoa, mandava-a para a puta que a pariu. Como não é e temos mesmo que respondê-la, vamos ver o que diz quem sabe:
Paulo Cardoso@Sapo Astrologia : Gémeos - resumindo, vou ter a vida aos ziguezagues. Não sei o que este merdoso quer dizer com isto mas não ajudou em nada.
Maria Helena Martins@Sapo Astrologia - a carta de tarot é o Louco. Foda-se! Continuando - ora vai ser um ano instável mas com possibilidade de atingir objectivos, já que a carta 8 do Tarot nos dá essa possibilidade. Obrigado Lena. Se fosses mas é para o c...
Cristina Candeias@Mesmo sítio - Saturno vai-me mostrar todas as coisas ocultas em termos familiares. Posso mudar de casa ou fazer obras. Pois posso, Cristina. Olha obrigado, isso podia ter perguntado a um carpinteiro ou à Remax.
Bom, isto não ajudou em nada pois não? O Google é uma fonte de informação merdosa incrível. Quando usei a procura "como tomar decisões" ou "o que reserva o futuro" ou "como cortar as unhas no autocarro sem ninguém dar por nada" fui parar a sítios indescritíveis, como o Dr Coração que nos links favoritos tem o Portugal Sexy - com uma página de entrada feita de um merdley de várias fotos sugestivas, desde vaginásios a orais. Este Dr. tanto fala de problemas amorosos como anda em sites porno a ver se resolve os dele.
Eu até diria que este post está com alguma piada. Mas estou triste por causa de outras pessoas. E também um pouco por mim porque não creio que este ano vá ser alegre sem ser à custa da tristeza de alguém e isso dói. Muito. Pelo menos para mim, que não busco a alegria à custa dos outros.
O que era bom mesmo sabem o que era?
Que as coisas que nos fazem sentir bem, e vivos, acontecessem quando nada de mal podem fazer a outros. Vá-se lá saber porque não é assim...
Não ficámos todos com a sensação que o desejo de um óptimo, fabulástico, Ano Novo, parece algo que faça... pouco sentido? Não digo hipócrita, porque acho que se todos à nossa volta forem felizes nós também havemos de ser - não por contágio claro, que a felicidade não é infelizmente uma gripe, mas porque a probabilidade de o sermos é maior.
Para além da crise, que é realmente preocupante, já que muita gente vai deixar de gastar o que gastava e vai ter que trabalhar mais, será que isto vai levar a outro tipo de crises?
Bem, o meu ano começou com uma... Por causa de uma surpresa, óptima, querida, divertida, linda e impensável (para mim pelo menos) razão mas também com uma grande indecisão... E pelo que vi na festa onde estive, não sou o único. E pelo que vi nas semanas antes do fim de ano, há pessoal a procurar entrar no clube! Será o ano da crise sentimental? Apetece dizer - Foda-se! Não há crise que venha só! Mas há crises que sabem bem... Oh se há. Já nem me lembrava bem como eram!
O que fazer? A velha questão de sempre, até já chateia. Se fosse uma pessoa, mandava-a para a puta que a pariu. Como não é e temos mesmo que respondê-la, vamos ver o que diz quem sabe:
Paulo Cardoso@Sapo Astrologia : Gémeos - resumindo, vou ter a vida aos ziguezagues. Não sei o que este merdoso quer dizer com isto mas não ajudou em nada.
Maria Helena Martins@Sapo Astrologia - a carta de tarot é o Louco. Foda-se! Continuando - ora vai ser um ano instável mas com possibilidade de atingir objectivos, já que a carta 8 do Tarot nos dá essa possibilidade. Obrigado Lena. Se fosses mas é para o c...
Cristina Candeias@Mesmo sítio - Saturno vai-me mostrar todas as coisas ocultas em termos familiares. Posso mudar de casa ou fazer obras. Pois posso, Cristina. Olha obrigado, isso podia ter perguntado a um carpinteiro ou à Remax.
Bom, isto não ajudou em nada pois não? O Google é uma fonte de informação merdosa incrível. Quando usei a procura "como tomar decisões" ou "o que reserva o futuro" ou "como cortar as unhas no autocarro sem ninguém dar por nada" fui parar a sítios indescritíveis, como o Dr Coração que nos links favoritos tem o Portugal Sexy - com uma página de entrada feita de um merdley de várias fotos sugestivas, desde vaginásios a orais. Este Dr. tanto fala de problemas amorosos como anda em sites porno a ver se resolve os dele.
Eu até diria que este post está com alguma piada. Mas estou triste por causa de outras pessoas. E também um pouco por mim porque não creio que este ano vá ser alegre sem ser à custa da tristeza de alguém e isso dói. Muito. Pelo menos para mim, que não busco a alegria à custa dos outros.
O que era bom mesmo sabem o que era?
Que as coisas que nos fazem sentir bem, e vivos, acontecessem quando nada de mal podem fazer a outros. Vá-se lá saber porque não é assim...
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
O Estado da crise
Estou a fazer um breve interregno das merdas pessoais e sociais para me debruçar (e desabafar) o que me incomoda nos dias de hoje. A crise do subprime e outros nomes finos que lhe têm dado.
Por mais voltas que se lhe dê, lex parsimoniae (ou Occam's razor) funciona muito bem para a análise resumida e breve do que se passa ou passou.
Na minha opinião, são 3 os grandes factores:
1. A ganância de ter de cada um de nós. Mais casas, mais carros e status social. A pressão que existe para mais crédito resulta directamente da obtenção de mais bens ou experiências (como as férias).
2. A ganância financeira - não houve limites para o negócio a fazer com créditos, não houve controlo do endividamento nem da qualidade desse endividamento por parte dos bancos e instituições financeiras.
3. Por último, a fraude. Alguém a cometeu, por incompetência ou por puro oportunismo criminoso, mas o que é certo é que valorizaram-se activos pobres (agora são tóxicos segundo o novo jargon) como se fossem diamantes. Vender merda como pérolas.
Ainda hoje ouvi um comentário que os derivados financeiros eram as armas de destruição maciça dos mercados financeiros. Uma completa burrice - não são os derivados que são a arma, é quem os faz e aprova com ratings de risco subvalorizados. Outras aberrações surgirão no horizonte, culpas de governos que apostaram no mercado mais liberal, etc, etc. Acredito mesmo nos 3 factores que enunciei.
E agora pergunto-me... Em relação ao 1, não há nada a fazer - nós somos assim, motivamo-nos demasiado pelo efémero, deixamos o futuro para um desastroso logo se vê.
Em relação ao 2, pode-se falar em regulação mas é impossível controlar os milhões de produtos financeiros que existem e continuarão a existir. É humanamente impossível fazê-lo e a única coisa que pode ser imposta é a responsabilização, quanto mais não seja pelo cap inferior ou superior de perdas e mais-valias, sendo o excedente assumido por quem emite tais títulos, fundos, etc. Esta pode ser uma entre muitas que surgirão de futuro.
Do pouco que li de Karl Popper, que por sinal acho um verdadeiro génio lógico a dissertar sobre diversas questões, o que é importante para a democracia são as instituições que garantem o contra-poder e que a perpetua mesmo quando elegemos incompetentes ou déspotas. Tem que se seguir o mesmo rumo para todos os mercados porque hoje em dia qualquer um pode ter um impacto brutal em toda a gente.Basta recordarmo-nos da bolha virtual e o que aconteceu...
Com tudo isto, regojizamos a morte definitiva do liberalismo, tal como se celebrou a morte do Marxismo-Leninismo como ideologia válida (no sentido prático e não conceptual), em termos políticos e económicos. In Medio Stat Virtus, como diria Aristóteles (mas em grego claro!). Claro que isto era colocado no sentido ético e a extrapolação para outros campos é perigosa. Mas creio que a história nos mostra que politica e economicamente, esta é uma luz orientadora a seguir, à falta de paradigmas vindouros que consigam arranjar alternativas diferentes nos eixos que nos temos movido.
O último ponto é o que me tem metido mais nojo para ser sincero. Mesmo na falência, os executivos do banco Lehman Brothers palmilhavam por milhões para garantirem os seus golden parachutes. O CEO que levou à bancarrota compareceu perante a comissão do Senado triste e aborrecido, com o cú assente em mais de 300M USD acumulados durante os seus mandatos. Foda-se!
Eu não sou comuna. Mas acredito que deve haver diferenciação pelo mérito e pelo trabalho em conjunto com justiça social. O mundo não pode fabricar dinheiro através dos bancos centrais e aumentar a despesa pública com participações (ou controlo total) de instituições falidas sem que haja consequências civis e criminais perante tal falta de vergonha e moral. Nem podemos nós, classe média, aguentar com a merda feita, vermos os PPRs e outras míseras poupanças a encolherem a olhos vistos e sem alternativas viáveis. Quantos aos pobres... Nem sei. Correndo o risco de proferir uma alarvidade, acho que a classe baixa nem percebe e nem é afectada para já - só quando o desemprego subir é que vão notar mais na pele...
Temos que assumir sem medo e preconceito que este tipo de vencimentos e atitudes desplicentes e "superiores" têm que ser consideradas más para a sociedade e portanto devem ser punidas. Nem falo no sentido ético porque acho que é demasiadamente redutor para perder tempo com isto.
A legislação e a punição nela inscrita devem afirmar um sentido de moralidade perante a sociedade. Estes indivíduos têm que ser justamente julgados tal como o é um médico que é negligente ou um engenheiro incompetente que mata milhares por erros de projecto de construção civil. Tal descalabro mundial tem que responsabilizar os CXOs das instituições que nos levaram a este ponto. Se o fizeram na Enron, que o façam agora. Enquanto há provas. E ainda estou para ver quando é que a bolha do futebol rebenta a sério - o paralelismo simples a fazer é entre a valorização exorbitante dos jogadores com a mesma estúpida valorização feita no imobiliário, em conjunto com a capacidade de pagar dívidas. Não deverá faltar muito tempo.
Aguardo por isto, desejando que o vírus Português da impunidade não se tenha tornado uma pandemia.
Por mais voltas que se lhe dê, lex parsimoniae (ou Occam's razor) funciona muito bem para a análise resumida e breve do que se passa ou passou.
Na minha opinião, são 3 os grandes factores:
1. A ganância de ter de cada um de nós. Mais casas, mais carros e status social. A pressão que existe para mais crédito resulta directamente da obtenção de mais bens ou experiências (como as férias).
2. A ganância financeira - não houve limites para o negócio a fazer com créditos, não houve controlo do endividamento nem da qualidade desse endividamento por parte dos bancos e instituições financeiras.
3. Por último, a fraude. Alguém a cometeu, por incompetência ou por puro oportunismo criminoso, mas o que é certo é que valorizaram-se activos pobres (agora são tóxicos segundo o novo jargon) como se fossem diamantes. Vender merda como pérolas.
Ainda hoje ouvi um comentário que os derivados financeiros eram as armas de destruição maciça dos mercados financeiros. Uma completa burrice - não são os derivados que são a arma, é quem os faz e aprova com ratings de risco subvalorizados. Outras aberrações surgirão no horizonte, culpas de governos que apostaram no mercado mais liberal, etc, etc. Acredito mesmo nos 3 factores que enunciei.
E agora pergunto-me... Em relação ao 1, não há nada a fazer - nós somos assim, motivamo-nos demasiado pelo efémero, deixamos o futuro para um desastroso logo se vê.
Em relação ao 2, pode-se falar em regulação mas é impossível controlar os milhões de produtos financeiros que existem e continuarão a existir. É humanamente impossível fazê-lo e a única coisa que pode ser imposta é a responsabilização, quanto mais não seja pelo cap inferior ou superior de perdas e mais-valias, sendo o excedente assumido por quem emite tais títulos, fundos, etc. Esta pode ser uma entre muitas que surgirão de futuro.
Do pouco que li de Karl Popper, que por sinal acho um verdadeiro génio lógico a dissertar sobre diversas questões, o que é importante para a democracia são as instituições que garantem o contra-poder e que a perpetua mesmo quando elegemos incompetentes ou déspotas. Tem que se seguir o mesmo rumo para todos os mercados porque hoje em dia qualquer um pode ter um impacto brutal em toda a gente.Basta recordarmo-nos da bolha virtual e o que aconteceu...
Com tudo isto, regojizamos a morte definitiva do liberalismo, tal como se celebrou a morte do Marxismo-Leninismo como ideologia válida (no sentido prático e não conceptual), em termos políticos e económicos. In Medio Stat Virtus, como diria Aristóteles (mas em grego claro!). Claro que isto era colocado no sentido ético e a extrapolação para outros campos é perigosa. Mas creio que a história nos mostra que politica e economicamente, esta é uma luz orientadora a seguir, à falta de paradigmas vindouros que consigam arranjar alternativas diferentes nos eixos que nos temos movido.
O último ponto é o que me tem metido mais nojo para ser sincero. Mesmo na falência, os executivos do banco Lehman Brothers palmilhavam por milhões para garantirem os seus golden parachutes. O CEO que levou à bancarrota compareceu perante a comissão do Senado triste e aborrecido, com o cú assente em mais de 300M USD acumulados durante os seus mandatos. Foda-se!
Eu não sou comuna. Mas acredito que deve haver diferenciação pelo mérito e pelo trabalho em conjunto com justiça social. O mundo não pode fabricar dinheiro através dos bancos centrais e aumentar a despesa pública com participações (ou controlo total) de instituições falidas sem que haja consequências civis e criminais perante tal falta de vergonha e moral. Nem podemos nós, classe média, aguentar com a merda feita, vermos os PPRs e outras míseras poupanças a encolherem a olhos vistos e sem alternativas viáveis. Quantos aos pobres... Nem sei. Correndo o risco de proferir uma alarvidade, acho que a classe baixa nem percebe e nem é afectada para já - só quando o desemprego subir é que vão notar mais na pele...
Temos que assumir sem medo e preconceito que este tipo de vencimentos e atitudes desplicentes e "superiores" têm que ser consideradas más para a sociedade e portanto devem ser punidas. Nem falo no sentido ético porque acho que é demasiadamente redutor para perder tempo com isto.
A legislação e a punição nela inscrita devem afirmar um sentido de moralidade perante a sociedade. Estes indivíduos têm que ser justamente julgados tal como o é um médico que é negligente ou um engenheiro incompetente que mata milhares por erros de projecto de construção civil. Tal descalabro mundial tem que responsabilizar os CXOs das instituições que nos levaram a este ponto. Se o fizeram na Enron, que o façam agora. Enquanto há provas. E ainda estou para ver quando é que a bolha do futebol rebenta a sério - o paralelismo simples a fazer é entre a valorização exorbitante dos jogadores com a mesma estúpida valorização feita no imobiliário, em conjunto com a capacidade de pagar dívidas. Não deverá faltar muito tempo.
Aguardo por isto, desejando que o vírus Português da impunidade não se tenha tornado uma pandemia.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
How to love
Senti a urgência de escrever. Houve uma frase no Californication que me fez pensar.
"All of us are so desperate to feel something, anything that we keep falling into each other and fucking our way towards the end of days".
Acho esta frase brilhante. Claro que no contexto da série em questão faz todo o sentido mas associei-a logo a algo que 2 bons amigos meus me disseram, de forma diferente. Vou pôr uma quote na ideia comum porque eles merecem.
"Com a idade e as experiências amorosas que fomos tendo, perde-se a capacidade de amar como dantes."
Estes 2 pensamentos são tão terríveis como reconfortantes. Terríveis porque se há algo que o Homem faz bem é amar. Não amamos, não fazemos amor para procriar. Talvez haja espécies que amem - eu não conheço mas também não admira, não sou tarado pelo National Geographic ou pelo Chamar a Música, estas séries fantásticas sobre animais - mas não sei se alguma amará como a nossa.
Não falo do amor de pais, pelos pais, de Deus(es) ou pelos amigos. Falo do Amor pela pessoa que queremos ter ao nosso lado. De preferência, enquanto o Amor durar. Em que é que nos torna esta perda que tanto se vê? Eu sem dúvida que a sinto e vejo outros a sentir. Vejo também, para minha e nossa esperança, outros que ainda acreditam. Mas são tão poucos e com tanta incapacidade de nos fazerem mudar que é arrepiante...
O que há de conforto nisto? Há o conforto de não estarmos sós, sermos uns nerd lovers, os geeks do amor perdido. Os poucos ratos de porão de um coração perdido. Não, de facto há mais, muitos mais. E para além disso, justificam as nossas escolhas. "Eu não a amo mas gosto muito dela e somos compatíveis". "Se não conseguir atinar com esta, estou-me a cagar, não consigo mais".
"A paixão vai-se, o amor confunde-se com amizade e respeito - mais vale um(a) companheiro(a) que uma paixão ou amor que duram pouco tempo". E tantas mais que o leitor (i.e. eu!) poderá arranjar que tenha ouvido por aí. Ou até dito.
É o que eu acho a visão romântica vs a pragmática. E não é por chamar estes nomes que estou a dar um sentido mais positivo a uma que a outra. São para já apenas nomes, quem arranjar melhor que diga. É o que é, ou o que tenho visto.
Qualquer uma das duas pode levar, no extremo, a situações terríveis - o romântico anda sempre atrás do grande amor, que pode até encontrá-lo onde não existe, e anda como um bipolar, entre a euforia e o desespero. O pragmático é o frio, a racionalidade com uma dose (maior ou menor consoante os casos) de sentimento. Este pode tornar-se um ser céptico, desiludido e uma fucking machine, rodando tudo o que aparece.
Qualquer pessoa que tenha passado por experiências, como dizem os meus amigos, torna-se pragmático, nem que seja por uns tempos. O problema são os que vivem como pragmáticos por via da escolha ou do sofrimento e desilusão que a vida lhes trouxe. E no fundo, como na 1ª frase, andamos à procura da sensação, que por azar ou bloqueio nosso, não encontramos ou não a conseguimos sentir.
So... what the fuck do we do?
Não sei. Adorava saber, para o meu bem e de todos. Mas não sei mesmo.
Apenas sei que o tempo passa e de tudo o que temos na vida, é a única coisa que não poderemos de forma alguma recuperar. Viver o dia, carpe diem, blá blá não ajudam é porra nenhuma à questão como diria um brasileiro. É urgente arranjar uma solução, pessoal, não há fórmulas. Não tem sentido culparmos a sociedade, isto acontece há séculos. Hoje podemos ser menos tolerantes, mais avessos ao necessário compromisso sério e dedicado, mas o problema de fundo está lá. Andamos à procura uns dos outros, encontramo-nos por vezes. A sorte e o destino poderão juntar as pessoas certas no momento certo, porventura por muitos anos. Sabendo porém, que muitas vezes só as reconhecemos quando as perdemos. Ou nos perdem.
Não sei. Não sei mesmo. Mas adorava saber. Às vezes sinto a urgência de saber.
Não estou deprimido, nem pensar! Mas por vezes triste por quem me acompanha e por mim, por esta ordem. Adorava olhar para trás e ver que era mais do que uma fucking machine - que nunca fui mas não garanto que não venha a ser. O pinga-amor já se foi, há anos. O pouco de romantismo que existia foi-se. Não digo que seja céptico em termos de relacionamentos mas não sou o crente que era.
Mudei, não culpo ninguém por isso, nem guardo rancor. Tenho o meu canto, o meu ninho de protecção que me custa largar. Vejo tantos assim... O ninho pode ter mais gente mas não deixa de ser o que é - o lugar onde muita gente vai, de onde volta sendo outro.
"All of us are so desperate to feel something, anything that we keep falling into each other and fucking our way towards the end of days".
Acho esta frase brilhante. Claro que no contexto da série em questão faz todo o sentido mas associei-a logo a algo que 2 bons amigos meus me disseram, de forma diferente. Vou pôr uma quote na ideia comum porque eles merecem.
"Com a idade e as experiências amorosas que fomos tendo, perde-se a capacidade de amar como dantes."
Estes 2 pensamentos são tão terríveis como reconfortantes. Terríveis porque se há algo que o Homem faz bem é amar. Não amamos, não fazemos amor para procriar. Talvez haja espécies que amem - eu não conheço mas também não admira, não sou tarado pelo National Geographic ou pelo Chamar a Música, estas séries fantásticas sobre animais - mas não sei se alguma amará como a nossa.
Não falo do amor de pais, pelos pais, de Deus(es) ou pelos amigos. Falo do Amor pela pessoa que queremos ter ao nosso lado. De preferência, enquanto o Amor durar. Em que é que nos torna esta perda que tanto se vê? Eu sem dúvida que a sinto e vejo outros a sentir. Vejo também, para minha e nossa esperança, outros que ainda acreditam. Mas são tão poucos e com tanta incapacidade de nos fazerem mudar que é arrepiante...
O que há de conforto nisto? Há o conforto de não estarmos sós, sermos uns nerd lovers, os geeks do amor perdido. Os poucos ratos de porão de um coração perdido. Não, de facto há mais, muitos mais. E para além disso, justificam as nossas escolhas. "Eu não a amo mas gosto muito dela e somos compatíveis". "Se não conseguir atinar com esta, estou-me a cagar, não consigo mais".
"A paixão vai-se, o amor confunde-se com amizade e respeito - mais vale um(a) companheiro(a) que uma paixão ou amor que duram pouco tempo". E tantas mais que o leitor (i.e. eu!) poderá arranjar que tenha ouvido por aí. Ou até dito.
É o que eu acho a visão romântica vs a pragmática. E não é por chamar estes nomes que estou a dar um sentido mais positivo a uma que a outra. São para já apenas nomes, quem arranjar melhor que diga. É o que é, ou o que tenho visto.
Qualquer uma das duas pode levar, no extremo, a situações terríveis - o romântico anda sempre atrás do grande amor, que pode até encontrá-lo onde não existe, e anda como um bipolar, entre a euforia e o desespero. O pragmático é o frio, a racionalidade com uma dose (maior ou menor consoante os casos) de sentimento. Este pode tornar-se um ser céptico, desiludido e uma fucking machine, rodando tudo o que aparece.
Qualquer pessoa que tenha passado por experiências, como dizem os meus amigos, torna-se pragmático, nem que seja por uns tempos. O problema são os que vivem como pragmáticos por via da escolha ou do sofrimento e desilusão que a vida lhes trouxe. E no fundo, como na 1ª frase, andamos à procura da sensação, que por azar ou bloqueio nosso, não encontramos ou não a conseguimos sentir.
So... what the fuck do we do?
Não sei. Adorava saber, para o meu bem e de todos. Mas não sei mesmo.
Apenas sei que o tempo passa e de tudo o que temos na vida, é a única coisa que não poderemos de forma alguma recuperar. Viver o dia, carpe diem, blá blá não ajudam é porra nenhuma à questão como diria um brasileiro. É urgente arranjar uma solução, pessoal, não há fórmulas. Não tem sentido culparmos a sociedade, isto acontece há séculos. Hoje podemos ser menos tolerantes, mais avessos ao necessário compromisso sério e dedicado, mas o problema de fundo está lá. Andamos à procura uns dos outros, encontramo-nos por vezes. A sorte e o destino poderão juntar as pessoas certas no momento certo, porventura por muitos anos. Sabendo porém, que muitas vezes só as reconhecemos quando as perdemos. Ou nos perdem.
Não sei. Não sei mesmo. Mas adorava saber. Às vezes sinto a urgência de saber.
Não estou deprimido, nem pensar! Mas por vezes triste por quem me acompanha e por mim, por esta ordem. Adorava olhar para trás e ver que era mais do que uma fucking machine - que nunca fui mas não garanto que não venha a ser. O pinga-amor já se foi, há anos. O pouco de romantismo que existia foi-se. Não digo que seja céptico em termos de relacionamentos mas não sou o crente que era.
Mudei, não culpo ninguém por isso, nem guardo rancor. Tenho o meu canto, o meu ninho de protecção que me custa largar. Vejo tantos assim... O ninho pode ter mais gente mas não deixa de ser o que é - o lugar onde muita gente vai, de onde volta sendo outro.
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Interesses
Este é um tema que me é caro de alguma forma. Os interesses que falo não são os políticos ou empresariais mas sim os pessoais.
Para enquadrar este tema é importante definir o interesse de uma pessoa. Da forma que eu o vejo, é algo semelhante à motivação mas no sentido que leva a uma acção específica, num período específico. Por exemplo, eu motivo-me pelo sucesso mas o interesse em determinada pessoa que me pode dar mais poder não é constante apenas por essa motivação. Eu motivo-me por me sentir amado mas isso não significa que tenha interesse em ficar sempre com determinada pessoa só para que isso aconteça.
Sinceramente não sei se esta definição será correcta do ponto de vista lexical, psicológico ou outro qualquer mas faz-me algum sentido. O interesse desvenda a motivação mas esta não determina todos os interesses.
Falar de interesses sem falar em motivações é, por isso, como falar de um cão e ignorarmos a raça, ou o que é um cão. Por isso ser rídiculo, debrucei-me um pouco sobre as motivações de hoje.
Há e acho que sempre haverá imensa discussão de como classificar as motivações, necessidades e consequentes impactos no registo de uma personalidade. No entanto, por falta de conhecimento técnico e porque também não acho relevante para o caso, creio que é mais útil falar do que nos motiva na sociedade actual que conheço. Creio que o mais curioso é que as motivações são as mesmas de há séculos - ser bem sucedido na vertente social, através da riqueza material e de estrato e ser bem sucedido no amor (ou sexo). Claro que há mais e felizmente nem todos se regem só por estas mas é para mim óbvio que sem as motivações básicas qualquer homem ou mulher parecem uns perfeitos anormais.
Não acho que estas motivações por si sejam más - acho que sem elas provavelmente não haveria progresso nem seres humanos passado uns tempos. O que é curioso é a forma exarcebada como se manifestam em diversos comportamentos humanos e interesses que são criticáveis, sejam eles velados ou por demais visíveis. E esta importância para mim vem de 3 factores - inaptidão de resistência à forte pressão social, educação dos pares (pais, tios, amigos, etc) e por fim, mas às vezes a mais importante, o medo pessoal (e não de rejeição social) do insucesso em concretizar as expectativas que cada um cria por si. Por outras palavras, o medo de ser um merdas.
Normalmente chamam-se a pessoas interesseira aquelas que mostram por demais as motivações básicas - sucesso profissional e/ou pessoal. Vêmo-los atarefados a engraxar pessoas que não gostam, a rodearem-se de pessoas que dão jeito e a fazerem coisas que até podem vir a gostar mas que inicialmente permitem é um conjunto de situações que podem potenciar sucesso (veja-se o sucesso do golf p.ex.). É também frequente que os mais ineptos mostrem demasiado a superficialidade com que fazem tudo isto ou até como pela frente estão divertidos e empenhados, quando por trás só dizem mal. É uma hipocrisia só.
E não deixa de ser curioso como a minha Mãe sempre me disse por outras palavras (e quão pouco dei importância a isto quando era mais novo) que o interesse move o mundo. Somos todos interesseiros, dirão os mais cépticos ou que se sentem particularmente alvo da crítica. Pois somos. Mas nem todos se movem de uma forma egoísta, como os que tenho falado.
É importante fazer a seguinte observação - eu acho que a hipocrisia é um mecanismo humano essencial para a sobrevivência na nossa sociedade. Assim como o é a mentira. Nós rimo-nos das gaffes de uma criança de 3 anos mas acharíamos piada às mesmas atoardas vindas de uma pessoa com 30? Seria normal para alguém desta idade virar-se espontaneamente para outra que conhece mal e dizer "cheiras mal como a ETAR da 24 de Julho"? Claro que precisamos disto mas precisamos de o fazer o menos possível. E preferir o silêncio (omissão) ou a honestidade relacional à mentira e hipocrisia.
É mais criticável na minha opinião o interesseirismo (se é que isto existe no dicionário!) por via do aceitar que esta é a melhor ou que é o caminho que sempre me ensinaram. É apenas uma pena que haja quem o faça por causa do medo. Isto porque para mim, quem opta por não reflectir e mudar é preguiçoso ou acredita mesmo que a vida é assim. Às vezes o medo não nos permite optar, tolda-nos as acções, elas existem fruto do subconsciente ou porque não se consegue fazer melhor, mesmo que se queira muito e conscientemente.
Claro que há sempre solução. Mas também há a outra face - como lidar com o interesseiro? Eu optei, conscientemente, pela via mais fácil e talvez mais parva - para interesseiro, interesseiro e meio. Se alguém quer a minha companhia por alguma razão e se eu não tiver nada de interessante para fazer ou caso me interesse algo dessa companhia, sabendo à partida que é (ou provavelmente é) por interesse, siga a marinha. Dou aqui o exemplo da companhia mas o leitor azarado deste blog (ou seja, eu!) pode sempre aplicar este raciocínio para qualquer tipo de interesse.
Do ponto de vista curativo, esta abordagem é merdosa. Ninguém consegue curar uma gripe com outra gripe. Mas sinceramente, quero é que eles (os interesseiros) se fodam. Já estou como o João César Monteiro, é verdade, mas esta expressão é poderosa. E verdade seja dita, estava mortinho para arranjar uma desculpa para escrevê-la!
Isto tudo é uma pena. Há pessoas interesseiras que são fantásticas nos outros aspectos. Ricas intelectualmente, queridas, bonitas, enfim, um mimo. Que grande pena... mas de facto não interessam a ninguém que consiga ver este fundo e que perceba que isto só lhe pode fazer mal. Eu pelo menos sinto isso e evito ao máximo afeiçoar-me. Ocasionalmente é-me impossível não gostar e muito de alguém assim mas nestes caso tento não iludir-me. E escrevo para não me esquecer disso. Caso um dia... me esqueça.
No fundo, até acredito que eles se apercebam do que fazem. E espero que compreendam um dia que a amizade sincera e às vezes o amor é que aproximam as pessoas, as tornam... boas. Para todos à volta e ao próprio. É que o interesseiro, no fim do dia, pode ficar apenas na companhia de outros iguais, nem que seja uma multidão.
Que é o mesmo ficar muito só, no meio de muita gente.
E acho que esse é o pior medo que há. Pelo menos para mim. Hei-de escrever sobre ele.
Para enquadrar este tema é importante definir o interesse de uma pessoa. Da forma que eu o vejo, é algo semelhante à motivação mas no sentido que leva a uma acção específica, num período específico. Por exemplo, eu motivo-me pelo sucesso mas o interesse em determinada pessoa que me pode dar mais poder não é constante apenas por essa motivação. Eu motivo-me por me sentir amado mas isso não significa que tenha interesse em ficar sempre com determinada pessoa só para que isso aconteça.
Sinceramente não sei se esta definição será correcta do ponto de vista lexical, psicológico ou outro qualquer mas faz-me algum sentido. O interesse desvenda a motivação mas esta não determina todos os interesses.
Falar de interesses sem falar em motivações é, por isso, como falar de um cão e ignorarmos a raça, ou o que é um cão. Por isso ser rídiculo, debrucei-me um pouco sobre as motivações de hoje.
Há e acho que sempre haverá imensa discussão de como classificar as motivações, necessidades e consequentes impactos no registo de uma personalidade. No entanto, por falta de conhecimento técnico e porque também não acho relevante para o caso, creio que é mais útil falar do que nos motiva na sociedade actual que conheço. Creio que o mais curioso é que as motivações são as mesmas de há séculos - ser bem sucedido na vertente social, através da riqueza material e de estrato e ser bem sucedido no amor (ou sexo). Claro que há mais e felizmente nem todos se regem só por estas mas é para mim óbvio que sem as motivações básicas qualquer homem ou mulher parecem uns perfeitos anormais.
Não acho que estas motivações por si sejam más - acho que sem elas provavelmente não haveria progresso nem seres humanos passado uns tempos. O que é curioso é a forma exarcebada como se manifestam em diversos comportamentos humanos e interesses que são criticáveis, sejam eles velados ou por demais visíveis. E esta importância para mim vem de 3 factores - inaptidão de resistência à forte pressão social, educação dos pares (pais, tios, amigos, etc) e por fim, mas às vezes a mais importante, o medo pessoal (e não de rejeição social) do insucesso em concretizar as expectativas que cada um cria por si. Por outras palavras, o medo de ser um merdas.
Normalmente chamam-se a pessoas interesseira aquelas que mostram por demais as motivações básicas - sucesso profissional e/ou pessoal. Vêmo-los atarefados a engraxar pessoas que não gostam, a rodearem-se de pessoas que dão jeito e a fazerem coisas que até podem vir a gostar mas que inicialmente permitem é um conjunto de situações que podem potenciar sucesso (veja-se o sucesso do golf p.ex.). É também frequente que os mais ineptos mostrem demasiado a superficialidade com que fazem tudo isto ou até como pela frente estão divertidos e empenhados, quando por trás só dizem mal. É uma hipocrisia só.
E não deixa de ser curioso como a minha Mãe sempre me disse por outras palavras (e quão pouco dei importância a isto quando era mais novo) que o interesse move o mundo. Somos todos interesseiros, dirão os mais cépticos ou que se sentem particularmente alvo da crítica. Pois somos. Mas nem todos se movem de uma forma egoísta, como os que tenho falado.
É importante fazer a seguinte observação - eu acho que a hipocrisia é um mecanismo humano essencial para a sobrevivência na nossa sociedade. Assim como o é a mentira. Nós rimo-nos das gaffes de uma criança de 3 anos mas acharíamos piada às mesmas atoardas vindas de uma pessoa com 30? Seria normal para alguém desta idade virar-se espontaneamente para outra que conhece mal e dizer "cheiras mal como a ETAR da 24 de Julho"? Claro que precisamos disto mas precisamos de o fazer o menos possível. E preferir o silêncio (omissão) ou a honestidade relacional à mentira e hipocrisia.
É mais criticável na minha opinião o interesseirismo (se é que isto existe no dicionário!) por via do aceitar que esta é a melhor ou que é o caminho que sempre me ensinaram. É apenas uma pena que haja quem o faça por causa do medo. Isto porque para mim, quem opta por não reflectir e mudar é preguiçoso ou acredita mesmo que a vida é assim. Às vezes o medo não nos permite optar, tolda-nos as acções, elas existem fruto do subconsciente ou porque não se consegue fazer melhor, mesmo que se queira muito e conscientemente.
Claro que há sempre solução. Mas também há a outra face - como lidar com o interesseiro? Eu optei, conscientemente, pela via mais fácil e talvez mais parva - para interesseiro, interesseiro e meio. Se alguém quer a minha companhia por alguma razão e se eu não tiver nada de interessante para fazer ou caso me interesse algo dessa companhia, sabendo à partida que é (ou provavelmente é) por interesse, siga a marinha. Dou aqui o exemplo da companhia mas o leitor azarado deste blog (ou seja, eu!) pode sempre aplicar este raciocínio para qualquer tipo de interesse.
Do ponto de vista curativo, esta abordagem é merdosa. Ninguém consegue curar uma gripe com outra gripe. Mas sinceramente, quero é que eles (os interesseiros) se fodam. Já estou como o João César Monteiro, é verdade, mas esta expressão é poderosa. E verdade seja dita, estava mortinho para arranjar uma desculpa para escrevê-la!
Isto tudo é uma pena. Há pessoas interesseiras que são fantásticas nos outros aspectos. Ricas intelectualmente, queridas, bonitas, enfim, um mimo. Que grande pena... mas de facto não interessam a ninguém que consiga ver este fundo e que perceba que isto só lhe pode fazer mal. Eu pelo menos sinto isso e evito ao máximo afeiçoar-me. Ocasionalmente é-me impossível não gostar e muito de alguém assim mas nestes caso tento não iludir-me. E escrevo para não me esquecer disso. Caso um dia... me esqueça.
No fundo, até acredito que eles se apercebam do que fazem. E espero que compreendam um dia que a amizade sincera e às vezes o amor é que aproximam as pessoas, as tornam... boas. Para todos à volta e ao próprio. É que o interesseiro, no fim do dia, pode ficar apenas na companhia de outros iguais, nem que seja uma multidão.
Que é o mesmo ficar muito só, no meio de muita gente.
E acho que esse é o pior medo que há. Pelo menos para mim. Hei-de escrever sobre ele.
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Às vezes faz bem
Não sei se alguém já disse isto mas escrever limpa a alma. Principalmente quando existem temas que são difíceis de falar com outra pessoa, ou serem interessantes ou até haver uma ideia do que se quer falar. Por vezes é importante deixarmo-nos vaguear sem grande sentido de fim, só mesmo para ver o que pode acontecer, onde o espírito nos leva.
Daí ter pensado em fazer um blog. Não só posso rever online a verborreia que verterei aqui sempre que me apeteça como até pode algum infelizardo tropeçar nas minhas tristes divagações mentais. E o registo das reacções e ideias adicionais talvez sirvam para alguma coisa.
Não vou falar sobre mim porque isso pouco interessa. Para isso, temos 5 em cima, caras de livro e outros sites que o fazem bem melhor. E onde obviamente estou! Aliás, não estar é quase como não ter telemóvel, os outros não sabem que existimos. E isso é quase como não existirmos, pelo menos aqui no nosso pedaço de terra.
Hoje não sei se tenho pachorra para vaguear sobre alguns assuntos que me apoquentam sem ser um mais simples e linear - alguns valores actuais.
Os valores, a moral, o sentido de bom e mau sempre foram vistos por diversos prismas filosóficos e religiosos que sempre tentaram, e diga-se que conseguiram, orientar o comportamento individual para que, no conjunto das pessoas, esses comportamentos atingissem um objectivo. Por vezes os objectivos estão de acordo com o bem estar individual ou da sociedade, por vezes eram (e são) fruto de mentes sábias que apenas querem atingir fins políticos e de poder.
No entanto, se filtrarmos um pouco esta núvem de pó, existem alguns valores que têm sido enraízados que me fazem muita confusão, pelo menos por cá. O sucesso e a sua medida (muitas vezes apenas em relação a dinheiro e bens) é um dos que me faz espécie, em particular nas diversas vertentes em que se apresenta.
Uma das vertentes é o ar. O ar altivo e pouco humilde, o famoso ar de "cromo" com que muitas vezes nos deparamos na rua, nas revistas e televisão. É curioso porque em termos humanos, o ar altivo é pouco empático, cria inclusivamente aversão. Então, porque é tão usado? Mais, porque é que sabendo nós que há pessoas cujo sucesso sobe demasiado à cabeça e tornam-se pouco humildes e têm comportamentos mais "chocantes", continuamos a incomodar-nos com isso? Penso que tem a ver com o facto de não lidarmos bem com a aparente minimização daquilo que somos, do que conseguimos atingir e do que queremos (ou não) ser. É uma minimização aparente porque de facto não temos normalmente a oportunidade de sequer interagir pessoalmente com os "bons".
Mas para além da minimização aparente que auto-infligimos, há a questão social. De facto, mesmo querendo acreditar que o sucesso é sobretudo individual e avaliado face aos objectivos que traçamos para nós próprios (ou para filhos, etc), há a questão da validação desse sucesso perante a sociedade. A validação faz sentido e é essencial em relação a comportamentos desviantes (ex: um serial killer ter sucesso nos seus objectivos é, digamos, mau para todos nós) mas a validação vigente, baseada no que são os valores de hoje em dia, é completamente anuladora do que deveria ser a medida de sucesso pessoal. Esta deveria ser tão importante quanto a pessoal mas não é. O que é importante hoje em dia é ser-se conhecido, ter (muito) dinheiro, estar rodeado de pessoas bonitas e/ou ricas e voilá, tem-se um monte de carbono cheio de sucesso. Isso sim, é que é bom.
Acho que isto não pode levar a um sítio muito agradável. Até porque, muito à custa disto, ouvem-se histórias de divórcios complicados por causa de meia-dúzia de tostões, tenta-se atingir este sucesso a todo o custo recorrendo-se a burlas (seja ao estado ou individuais), amizades e sociedades desfeitas para ganharem mais uns cobres, etc. O valor monetário do que quer que seja baixou. E é curioso como a possibilidade de pormos um valor nas coisas intangíveis ou impossíveis (como amor, amizade, etc) nos pode dar uma medida da importância. É interessante tentar-se pôr esse valor, mais, é possível chegar-se a um valor.
E como se dá a volta a isto, se sequer for interessante para a sociedade mudar tal estado de coisas? Sim, porque pode não ser interessante já que se virmos bem, este modus vivendi dá dinheiro (e sucesso) a muita gente.
Sinceramente... Não sei. Eu pelo menos "luto" todos os dias para viver melhor com o meu sucesso medido independentemente da régua de outros. Nunca achei que a via Marxista de luta de classes e tudo igual para todos seja a resposta, aliás como a história provou, mas a medida certa está em cada um, nunca esquecendo que vivemos com e para outros, ao invés do liberalismo e do "cada um por si". Como é que se pode incutir tal espírito, caso esteja correcto? E caso esteja correcto e todos decidam que sim, este é o caminho, como mudar o status quo?
Pois... Também não sei! Mas sei que vivo melhor.
Daí ter pensado em fazer um blog. Não só posso rever online a verborreia que verterei aqui sempre que me apeteça como até pode algum infelizardo tropeçar nas minhas tristes divagações mentais. E o registo das reacções e ideias adicionais talvez sirvam para alguma coisa.
Não vou falar sobre mim porque isso pouco interessa. Para isso, temos 5 em cima, caras de livro e outros sites que o fazem bem melhor. E onde obviamente estou! Aliás, não estar é quase como não ter telemóvel, os outros não sabem que existimos. E isso é quase como não existirmos, pelo menos aqui no nosso pedaço de terra.
Hoje não sei se tenho pachorra para vaguear sobre alguns assuntos que me apoquentam sem ser um mais simples e linear - alguns valores actuais.
Os valores, a moral, o sentido de bom e mau sempre foram vistos por diversos prismas filosóficos e religiosos que sempre tentaram, e diga-se que conseguiram, orientar o comportamento individual para que, no conjunto das pessoas, esses comportamentos atingissem um objectivo. Por vezes os objectivos estão de acordo com o bem estar individual ou da sociedade, por vezes eram (e são) fruto de mentes sábias que apenas querem atingir fins políticos e de poder.
No entanto, se filtrarmos um pouco esta núvem de pó, existem alguns valores que têm sido enraízados que me fazem muita confusão, pelo menos por cá. O sucesso e a sua medida (muitas vezes apenas em relação a dinheiro e bens) é um dos que me faz espécie, em particular nas diversas vertentes em que se apresenta.
Uma das vertentes é o ar. O ar altivo e pouco humilde, o famoso ar de "cromo" com que muitas vezes nos deparamos na rua, nas revistas e televisão. É curioso porque em termos humanos, o ar altivo é pouco empático, cria inclusivamente aversão. Então, porque é tão usado? Mais, porque é que sabendo nós que há pessoas cujo sucesso sobe demasiado à cabeça e tornam-se pouco humildes e têm comportamentos mais "chocantes", continuamos a incomodar-nos com isso? Penso que tem a ver com o facto de não lidarmos bem com a aparente minimização daquilo que somos, do que conseguimos atingir e do que queremos (ou não) ser. É uma minimização aparente porque de facto não temos normalmente a oportunidade de sequer interagir pessoalmente com os "bons".
Mas para além da minimização aparente que auto-infligimos, há a questão social. De facto, mesmo querendo acreditar que o sucesso é sobretudo individual e avaliado face aos objectivos que traçamos para nós próprios (ou para filhos, etc), há a questão da validação desse sucesso perante a sociedade. A validação faz sentido e é essencial em relação a comportamentos desviantes (ex: um serial killer ter sucesso nos seus objectivos é, digamos, mau para todos nós) mas a validação vigente, baseada no que são os valores de hoje em dia, é completamente anuladora do que deveria ser a medida de sucesso pessoal. Esta deveria ser tão importante quanto a pessoal mas não é. O que é importante hoje em dia é ser-se conhecido, ter (muito) dinheiro, estar rodeado de pessoas bonitas e/ou ricas e voilá, tem-se um monte de carbono cheio de sucesso. Isso sim, é que é bom.
Acho que isto não pode levar a um sítio muito agradável. Até porque, muito à custa disto, ouvem-se histórias de divórcios complicados por causa de meia-dúzia de tostões, tenta-se atingir este sucesso a todo o custo recorrendo-se a burlas (seja ao estado ou individuais), amizades e sociedades desfeitas para ganharem mais uns cobres, etc. O valor monetário do que quer que seja baixou. E é curioso como a possibilidade de pormos um valor nas coisas intangíveis ou impossíveis (como amor, amizade, etc) nos pode dar uma medida da importância. É interessante tentar-se pôr esse valor, mais, é possível chegar-se a um valor.
E como se dá a volta a isto, se sequer for interessante para a sociedade mudar tal estado de coisas? Sim, porque pode não ser interessante já que se virmos bem, este modus vivendi dá dinheiro (e sucesso) a muita gente.
Sinceramente... Não sei. Eu pelo menos "luto" todos os dias para viver melhor com o meu sucesso medido independentemente da régua de outros. Nunca achei que a via Marxista de luta de classes e tudo igual para todos seja a resposta, aliás como a história provou, mas a medida certa está em cada um, nunca esquecendo que vivemos com e para outros, ao invés do liberalismo e do "cada um por si". Como é que se pode incutir tal espírito, caso esteja correcto? E caso esteja correcto e todos decidam que sim, este é o caminho, como mudar o status quo?
Pois... Também não sei! Mas sei que vivo melhor.
Assinar:
Postagens (Atom)